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sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Sabotador


Pensei em fazer,
fiz o contrário.
Construí ideias,
derrubei-as todas.
Sonhei projetos,
não fiz nenhum.
Pensei que poderia,
mas me disse que não.

Gols contra
Um bicho adversário
Meu maior inimigo
Esse inimigo-meu
Meu eu.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Começar de novo... e de novo... e outra vez... e sempre!




Redescobrindo a sonhar
Redescobrindo a criar
Redescobrindo a acreditar
Redescobrindo como construir
Redescobrindo como investir
Redescobrindo como fluir
Redescobrindo a trilhar o caminho do eu...

domingo, 29 de janeiro de 2012

O Direito ao Delírio




O que acham se delirarmos um pouquinho?
O que acham se fixamos nossos olhos mais além da infâmia, para imaginarmos outro mundo possível.


Tente adivinhar como será o mundo depois do ano 2000. Temos apenas uma única certeza: se estivermos vivos, teremos virado gente do século passado. Pior ainda, gente do milênio passado.

Sonhar não faz parte dos trinta direitos humanos que as Nações Unidas proclamaram no final de 1948. Mas, se não fosse por causa do direito de sonhar e pela água que dele jorra, a maior parte dos direitos morreria de sede. Deliremos, pois, por um instante. O mundo, que hoje está de pernas para o ar, vai ter de novo os pés no chão.

Nas ruas e avenidas, carros vão ser atropelados por cachorros.

O ar será puro, sem o veneno dos canos de descarga, e vai existir apenas a contaminação que emana dos medos humanos e das humanas paixões.

O povo não será guiado pelos carros, nem programado pelo computador, nem comprado pelo supermercado, nem visto pela TV. A TV vai deixar de ser o mais importante membro da família, para ser tratada como um ferro de passar ou uma máquina de lavar roupas.

Vamos trabalhar para viver, em vez de viver para trabalhar.

Em nenhum país do mundo os jovens vão ser presos por contestar o serviço militar. Serão encarcerados apenas os quiserem se alistar.

Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem de qualidade de vida a quantidade de coisas.

Os cozinheiros não vão mais acreditar que as lagostas gostam de ser servidas vivas.

Os historiadores não vão mais acreditar que os países gostem de ser invadidos.

Os políticos não vão mais acreditar que os pobres gostem de encher a barriga de promessas.

O mundo não vai estar mais em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza. E a indústria militar não vai ter outra saída senão declarar falência, para sempre.

Ninguém vai morrer de fome, porque não haverá ninguém morrendo de indigestão.

Os meninos de rua não vão ser tratados como se fossem lixo, porque não vão existir meninos de rua. Os meninos ricos não vão ser tratados como se fossem dinheiro, porque não vão existir meninos ricos.

A educação não vai ser um privilégio de quem pode pagar por ela.

A polícia não vai ser a maldição de quem não pode comprá-la.

Justiça e liberdade, gêmeas siamesas condenadas a viver separadas, vão estar de novo unidas, bem juntinhas, ombro a ombro.

Uma mulher - negra - vai ser presidente do Brasil, e outra - negra - vai ser presidente dos Estados Unidos. Uma mulher indígena vai governar a Guatemala e outra, o Peru.

Na Argentina, as loucas da Praça de Maio vão virar exemplo de sanidade mental, porque se negaram a esquecer, em tempos de amnésia obrigatória.

A Santa Madre Igreja vai corrigir alguns erros das Tábuas de Moisés. O sexto mandamento vai ordenar: "Festejarás o corpo". E o nono, que desconfia do desejo, vai declará-lo sacro. 

A Igreja vai ditar ainda um décimo-primeiro mandamento, do qual o Senhor se esqueceu: "Amarás a natureza, da qual fazes parte". Todos os penitentes vão virar celebrantes, e não vai haver noite que não seja vivida como se fosse a última, nem dia que não seja vivido como se fosse o primeiro.

[Palavras inspirativas de Eduardo Galeano!!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Duplo sentido [Clarice Lispector]


Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

sábado, 5 de novembro de 2011

FDS


Fim de semana frio
a preguiça fazendo pirraça
o frio pirraçando o dia
a semana chegando ao fim.

Eu curtindo preguiça,
fazendo pirraça,
fria pipoca
do filme sem graça.

Fim de semana
frio,
findando em mim.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Brinde à Mistura


Um brinde a todas essas deliciosas misturas
De sentimentos humanos em sagrados escritos
Nesses textos que são música
Teológica arte de tornar poema
Pensamentos sobre Deus
Sentimentos escondidos
Misto de mortes e vidas
De sacro e profano
De histórias e mitos

Teologia também é transgressão
De uma fala que express'entre linhas
O grito de um corpo tão belo
Um corpo... que corpo...

Teologia é essa deliciosa mistura:
É boca...
É pele e arrepios...
Mistura de cheiros:
De banho e suor
De lençol e libido
Entre o doce e forte tato
Ato de amar

E eu brindo a esse corpo
Objeto de tantas misturas:
Imanência...
Transcendência...
Carne e espírito...
Pureza e pecado...
Corpo e sangue... pão e vinho...


Por Jeyson Rodrigues e Anísia Neta.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

À Espera

À espera...
Por alguém,
Por uma hora,
Pelo ônibus...

Pela demora que faz
a espera é boa.
Não é na hora,
mas depois...

Devagar o ponteiro passa.
O tempo não para,
também não apressa.
Seu compasso é sempre um.

Mas o coração não entende.
Ele tem pressa,
e corre, acelera...
Ou para e vai de mansinho...
Ele não entende...
porque o tempo não o acompanha?!
Agora ele só quer ver passar!
Com o tempo, ele vai aprendendo a viver.

E aprender a viver
é viver a espera.
Não é somente chegar,
não é o antes ou o depois
é exatamente o agora.
É o caminho.

E o tempo passou enquanto escrevo,
é dia primeiro!

sábado, 16 de abril de 2011

As sem-razões

Ramón Casas, Joven Decadente, 1899.
Muitas coisas a fazer
Muito o que dar conta
Muita responsabilidade

Não posso fugir...
Não posso recuar...
Não posso não fazer...

E ainda tenho que escrever,
Tenho que inventar,
Tenho que bolar,
Tenho que...
Tenho...

Ahhh!!! Quer saber???!!!
Não tenho nada!!!

Pelo menos aqui 
Posso não escrever
Posso ficar no ócio
Posso deixar pra depois
Posso ser livre
Posso criar 
E posso não criar...

Sem inspiração,
Sem desejo,
Sem vontade,
Sem querência...

Vazio!
Oco!
Vácuo!
Ócio!

É isso...
Sem comentários...

domingo, 13 de março de 2011

Amanheceu


Simples como o raiar do sol
O despontar do luar
A cheia da maré
O mato em flor.

Imperativo como o rio que corre para o mar
A borboleta que sai do casulo
O filhote que aprende a caçar
A estrela que guia no escuro.

Certo que não poderia ser diferente,
Óbvio por não ter como fugir.
Claro!! Um e outro se completam,
Sem forças pra resistir!
________________________

Dedico à minha mãe que está muito feliz com seu namorado Ari! Dois apaixonados me ensinando que amor não tem idade, que toda hora é hora pra ser feliz e que quando a paixão chega, todo mundo se comporta como dois adolescentes.... rsss
Felicidades pra vcs!!! Que seja eterno enquanto dure!!!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Tempo de Vida


Sem querer, gastamos vida formulando, formando, formatando. E quando precisamos realizar, resistir, criar... vemos o quanto gastamos tempo, tempo, tempo...
Fugiu o tempo, tomou o tempo, rasgou o papel...

Os sonhos, as ilusões também tomam tempo... Mas há vida nos devaneios!
Há vida na utopia, na imaginação. A vida do pensamento é sentir o ar entrando pelos pulmões, o coração pulsar de paixão, o corpo se mover por uma razão. O pensamento vivo, é vida ao corpo!

Há vida nos devaneios!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sem Sentido

Porque o porquê?
Pra que sentido?

No sentido, o porquê,
No  sentir, o viver.

Sentimentos não se explicam...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Natal


Nasceu! Nasceu!
O Deus menino me trouxe esperança
de voltar a ser criança!!!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Deixo-te


Deixo-te!!
Não sem dor...
Mas deixo-te!!!
Para ser livre e voar!!
Para que as cores de suas asas fiquem cada vez mais vibrantes!
Para que pense sempre mais em você!
Para que me encante novamente...
E sempre...
E sempre...

E em cada verso seu,
eu voltarei!!!
E não deixar-te-ei jamais!!!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Sortilégio da Lua (Verso)

 I
O sol se pôs em presságio
A palavra aconteceu
Surgia encantada a lua
No céu de estrelas e breu.

A lua fez descer estrelinhas
Por um toque de condão,
Brilhantes como um véu de poeira
Numa chuva fininha de ilusão.

A magia tocou a terra,
Os rios, o campo, o chão.
Tocou as casas, as pessoas e toda criação.
Naquele dia,
As estrelas caíram no salão.


II
Caindo sobre o salão,
Os corpos bailaram encantados
Sobre nuvens de cetim
Sonhos e devaneios foram criados.

O passo dos pés,
As mãos tocando-se
suavemente,
A paixão em odres e odores
Alma e coração aquecidos
eternamente.

Arrebatados!
Sozinhos no salão!
Desejos cristalizados.
Naquele dia,
Sedução.


III
A lua sorriu maravilhada.
E sorrindo,
Sonhou acordada.
E sonhando,
Amou em verdade.
Naquele dia,
Amando, adormeceu.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Anisíaca

Por Thiago Gusmão:



Rubra face em escultura diamantina
32 duas pérolas reluzentes,
cartão-postal em sorriso de menina.
Sobre formoso tronco de salgueiro
Despencas em cachos de cassia teus cabelos,
chuva de tons ébrios e negros.
E sob esses olhos de cigana,
Duas gemas vividas de paixão
Recantos de mistérios
Receita de pura magia e sedução.
Mas transbordas em perfumes de sutileza
Marca indelével de sua voz,
sopro de leveza!
Fostes inscrito o teu ser ao sabor das vagas praieiras
Livre como o mar conquistas alhures
Encantas e refrigeras sempre todas as paragens
Com toda tua graça e beleza ... anisíaca!

______________________________
Thi, muito obrigada pelo texto!!! Bjos!!!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Caosmótica

Sabe lá o que se quer
quando o que se quer é só saber querer...
Se a vida é o big bang,
onde está o equilíbrio das moléculas?

O caos da vida.
A vida do caos...
O caos na vida.
A vida é um caos!

Se estar vivo é estar em movimento
quero agora passear,
todo fim de tarde no jardim...
bem devagar...

O caos da vida.
A vida do caos...
O caos na vida.
A vida não é só caos!

Sou a vida!
Complexa.
Caos,
Homeostase.
Nem sempre um,
nem sempre outra.

O caos da vida.
A vida do caos...
O caos na vida.
Caosmose!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Dói, logo existo!

Distanciar-se...
Caminhada árdua, cansativa,
demorada.
"Viver é muito perigoso".

Diferenciar-se...
Escapar da multidão
ter como companhia
a solidão.

Dizer e Desdizer-se...
No kairós*, tudo se descortina,
e acontece.
Pra quem vive a perguntar.


Definir-se...
Dor da existência
de ver, saber
e ser só.

___________________________
* Termo grego para indicar tempo. Não no sentido cronológico, mas como tempo oportuno, momento certo ou ainda tempo de Deus.

sábado, 9 de outubro de 2010

Aborto Espontaneamente Provocado

Quando nasci,
me deram um nome,
esse e não outro.
Me deram roupas,
essas e não aquelas.
Me deram uma formação,
essa e não a de lá.
Me deram conceitos, valores, moral,
esses e jamais qualquer outros.
Me deram papéis, função,
projetos e ilusão.
Me deram a liberdade de ir e vir...
Pra qualquer lugar que eles quisessem.
Ninguém me deu vida.
Foi quando morri.

sábado, 2 de outubro de 2010

Pronome Pessoal, Feminino, Singular




Pela manhã, uma.
À tarde, outra.
De noite, aquelas duas.
Enfim, no travesseiro: Ela.

sábado, 25 de setembro de 2010

Persona

O vôo do pássaro...
Longe dos outros,
perto do eu.
Longe da culpa,
perto do discernir.
Longe da moral,
perto da existência.
Longe do rebanho,
perto da individuação.

Mas onde se chega assim?
Vou descobrir o que me faz sentir...
Eu, caçador de mim!