segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Sobre o Corso e os Penetras

De natureza histórica incerta, o carnaval possui algumas possíveis narrativas de seu início. Partindo da antiguidade grega, estava vinculado a festas de agradecimento às divindades pela fertilidade e produtividade agrícola. Em Roma, o carnaval durava 7 dias, todas as atividades e negócios paravam, a moral era colocada em suspensão e inclusive os escravos eram libertos para poderem se divertir à vontade nas ruas e praças da cidade. Havia abundância de bebida, comida e prazeres. A partir do séc. VI até o séc. XI, associado ao calendário cristão, firmou-se como uma ideia de adeus à carne, proveniente do latim carnis levale, ou ainda prazeres da carne, também do latim carnis vales. Este tornou-se um período onde se dá liberdade aos prazeres da carne, num tom de despedida, para dar início ao período de abstinência e jejum – a quaresma, nome dado aos 40 dias que antecipam a Semana Santa. De todo modo, o que valia era a ideia de alegria, de prazer, de suspensão da patrulha moral, de festa popular, de ocupar as ruas e de democracia do divertimento.
Em cada lugar do mundo a festa de carnaval foi tomando cores, músicas, danças, formas e significados diferentes, adequando à cultura local e ao jeito de ser de cada povo e nação. Não foi diferente no Brasil. Sobre a disputa de quem tem a maior festa de carnaval do mundo (Sapucaí, Rio de Janeiro – RJ), o maior bloco de carnaval do mundo (Bloco Galo da Madrugada, Recife – PE), ou o maior carnaval de rua, leia-se, gratuito, do mundo (São Salvador – BA), descobri esse ano que Teresina não fica atrás dessa megalomania brasileira acerca do carnaval, sendo, atualmente, a cidade que tem a maior festa de Corso do mundo.
Originado na Europa, em fins do séc. XIX, o Corso no Brasil, especificamente no Rio de Janeiro, segue o tradicional desfile de carros alegóricos, com algumas peculiaridades. Sem a Batalha das Flores, costume oficial do Corso de Nice, na França, na capital do estado da Guanabara, famílias da elite local ou pessoas com poder econômico tal que conseguiam alugar um carro de carroceria aberta desfilavam nas praças públicas. Ser visto naquela posição conferia, ao seleto grupo de pessoas que podiam desfilar de carro, ainda mais poder social – status. No entanto, o tradicional corso foi sendo trocado pelos “Bailes de Carnaval”, em locais fechados, visto que muitas famílias de origem abastada não consideravam mais tão interessante continuar desfilando no corso ao lado de caminhões alugados entupidos de pessoas que também queriam o prazer de desfilar no carnaval.
Em Picos – PI, seguindo a tradição da capital Teresina, o corso é o desfile de caminhões enfeitados, cheios de foliões alegres em suas fantasias ou “camisas de bloco”, sendo avaliados em sua criatividade e originalidade por um corpo de jurados. Uma pequena Sapucaí aberta ao público, salvo as devidas proporções e diferenças. Na Sapucaí, paga-se (e caro!) para estar na arquibancada. No maior carnaval do mundo, as escolas de samba representam uma cultura local, hoje extremamente mercantilizada, porém, é a cultura da favela que é a estrela do carnaval, é dos barracões da periferia de onde saem os carros alegóricos e as estrelas do desfile. É a cultura do povo local que é usurpada e capitalizada para o lucro de grupos gerenciadores do carnaval carioca. Pelas terras vermelhas de Picos, o carnaval ainda não se tornou megalomaníaco, mas o capital deu um jeito de capitaneá-lo. A arquibancada do corso picoense ainda é gratuita. E o povo tem o direito garantido de ver desfilar, em caminhões alegóricos, a cultura subjetivada da sua tradicional elite ao lado da mesma cultura subjetivada do aglomerado de pessoas de classe média em seus caminhões alugados. Por aqui, a elite picoense não é tão asséptica quanto a elite carioca, conquanto haja o velho princípio da democratização do divertimento a là democratização da divisão de Gonzagão: o “dois pra mim e um pra tu” travestido do "eu desfilo e você me vê". Assim, o capital usurpa a cultura local e oferece gratuitamente, para amplo consumo, a cultura subjetivada e industrializada de outras localidades.
Libertar o escravo ou o que você escraviza dentro de você no carnaval nunca foi tão fácil. Por isso a democratização do divertimento sempre teve problemas de realmente acontecer. Em Veneza, a elite saía de máscaras pelas ruas da cidade, junto ao povo (que sempre ocupou o espaço da rua no carnaval), a fim de poder desfrutar livremente da suspensão moral nesses dias de festa. Em Salvador, há 42 anos, o primeiro bloco negro organizado de carnaval chegava no circuito carnavalesco para desfilar na avenida oficial sem ser esperado, sem ser convidado. Não esperaram ser anunciados, mas anunciaram-se cantando "Que Bloco é esse? Eu quero saber / É o mundo negro que viemos mostrar pra vc". Era o Ilê Aiyê demarcando espaço, requerendo seu direito de desfile e de divertimento junto à maior festa popular do mundo.
Se por um lado, a elite sempre teve que enfrentar problemas morais por não saber liberar sua moral escravizada por um punhado de normas e condutas, os pobres e excluídos sempre tiveram que enfrentar problemas de demarcação de espaço, de garantia de direitos, de democratização, valorização e reconhecimento.
Um grupo de crianças e adolescentes negros e negras pobres da cidade de Picos, tocadores de tambor, liderados por um idealista, tenta se inscrever no corso, mas não conseguem. Por que? Porque não têm carro, nem dinheiro para alugar um em que caibam todas as crianças e seus tambores em cima dele. O líder do Grupo Percussão Origens, orienta os percussionistas mirins a furar o desfile e sair no chão: ao invés de rodas, pés negros; ao invés de motor ao diesel, biomecânica movida à glicose transformada em energia, aliado à adrenalina e muita serotonina; ao invés de som automotivo de alta potência, caixas e módulos, som acústico de caixas, tambores, surdos e bumbos, produzidos pelos meninos e meninas enquanto desfilam. Verdadeiros penetras da festa oficial, passam em frente ao palco onde estão os jurados e não são anunciados, não são citados, não são reconhecidos.
Todo penetra que ocupa uma festa, o faz resistindo a forças instituídas e oficiais, assim, o Percussão Origens também tem essa marca da resistência, e há que continuar a reivindicar seu espaço no desfile do circuito oficial, nem que seja burlando os poderes instituídos, nem que seja com o ronco de seus tambores ao invés de motores. Sobre a festa de Carnaval, tão popular na França, Foucault disse que “a festa é no fundo, a maravilhosa liberdade de estar louco e de achar no coração dessa cegueira a iluminação de todo um mundo que está em festa”. Que o resistir seja então a força maravilhosa que nos faz estar em festa e que faz o outro, qualquer outro e todos os outros que desejam essa cegueira, estar em festa também. Espero que o carnaval de Picos entenda que essa festa popular está para além do que é oficial, mas especialmente do que é oficioso. Porque pra mim, foi quando o Origens passou, que meu coração viu que chegou o carnaval.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Vida Contemporânea



Soube que hoje seria o dia em que a lua apareceria grande, imponente e azul. O próximo evento como esse apenas em 2018. Então, lembrada pelo grupo do WhastApp, percebi que já era hora de contemplar esse espetáculo da natureza.
Corri para a parte não coberta da garagem, mas não dava pra ver nada. Então, fui instintivamente para o quintal, onde tem mais espaço, por certo, verei a lua, pensei. Mas, mais uma vez fui frustrada ao perceber que dentro de casa não poderia ver o “show da lua ao vivo”.
Bom, me muni do que a gente precisa pra sair até ali na outra esquina numa capital: celular, dinheiro e um documento... como não sou lá tão responsável, deixei o documento. Ah! sim, peguei também as chaves de casa, é claro, afinal, na vida contemporânea de uma cidade grande, estamos sós em casa, na maioria das vezes num dia normal de semana; normal, exceto pelo evento da lua...
Lá fui eu. Fico num bairro afastado do centro, numa parte do bairro afastada de seu centro, em uma rua pouco movimentada, e com poucas construções no horizonte, então, assim que saí de casa, ainda na minha rua, consegui avistar a lua! Não estava azul, mas estava enorme, no horizonte ainda, e bem amarelada. Isso aconteceu por volta das 18:20h em Fortaleza-CE, Brasil, do dia 31 de julho de 2015. Nesse instante, já estava na esquina, de onde tirei uma foto do meu celular barato, o que ficou uma bosta, porque tirar foto da lua sem câmera profissional, e ainda mais com um celular barato é o mesmo que tirar foto da luz do poste.
Bom, mas o que importava é que a lua estava realmente bonita! E valia a pena contemplá-la. Algo que o sujeito na contemporaneidade está tentando resgatar de seus antepassados, quando a visão da lua era realmente bonita, entre as árvores, com o brilho dela refletido num espelho d´água... mas eu estava numa esquina de um bairro periférico de uma capital e as pessoas que estavam vindo do outro lado da rua me fizeram lembrar que já estava escuro, e que apesar do movimento normal para o horário do rush, eu não deveria ficar dando bobeira com um celular na mão, ou mesmo parada numa esquina. Segui em direção a rua principal, onde teria mais movimento, para saber o que fazer... talvez sentar numa praça de alimentação a céu aberto de uma galeria próxima.
Ao perceber que, se fosse à praça de alimentação, possivelmente não veria a lua, devido sua localização, desisti e decidi atravessar a rua e me sentar na parada de ônibus em frente a lua. Foi o que fiz. Olhando pra ela, em meio a nuvens, que daqui a pouco iriam encobrí-la por completo, me deparei o quão des-graçada é a vista da lua de quem mora numa cidade grande! Eu não estava corrida, não estava voltando cansada ou indo apressada para lugar algum, não tinha que me ocupar de mais nada naquele momento, mas ainda assim, os muros, as casas e suas antenas de TV, as poucas árvores da rua, e especialmente os carros, caminhões e ônibus distraíam e até impediam a visão da lua.
Lembrando que sou um sujeito, mulher, parada sozinha num ponto de ônibus, ainda podemos contar como distração da minha tentativa de contemplação e quietude, reflexão da minha vida e apreciação de um momento belo, tentando fazer da minha vida uma obra de arte, de acordo com meu filósofo querido, Foucault; vem carros com homens macho-alfa e buzinam, passam devagar e soltam piadas, me lembrando que sou apenas uma mulher sozinha numa parada de ônibus de cidade grande, e que estou sujeita aos contextos históricos e sociais que construíram as subjetividades/comportamentos do lugar onde estou no mundo, e que, por causa disso, e sem questionar essas construções, os homens que passaram por mim fizeram tais atitudes me lembrando que devia ir pra casa, afinal, de todo modo, as nuvens já haviam encoberto a lua mesmo...
Tudo isso me fez pensar o modo de contemplar a lua que me estava à disposição: em meio a multiplicidade de fatores, extrínsecos e intrínsecos a mim, sem qualquer essência do que deveria ser o momento, atravessado por inúmeros pensamentos e eventos.
Não sei qual o jeito certo de tentar ver a lua, com certeza há momentos mais tranquilos e belos para isso, mas tentar transformar isso em texto/corpo de mim mesma pode ser também belo e ir compondo o mosaico de minha vida.
E assim se fez! Eis que sem denominar "o que é" ou "como deve ser", vi o quanto era bom; e assim foi.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

A náusea da solidão

E depois da plenitude, o vazio.
Depois do néctar, a dor na boca do estômago.
Depois da companhia, apenas uma taça.
Depois do gozo, a solidão.

"Depois de ter você, pra que querer saber que horas são?!"

Eu , a Papa, o absolvo, Salieri!

Ó Deus dos desgraçados,
Deus dos medíocres,
Deus que fez Salieri meu santo protetor
Que me absolve os pecados

Dentro da mais alta mediocridade
Fazei com que eu seja pelo menos como ele
Ele que mais que qualquer outro,
Sabia, entendia, apreciava e reconhecia
A harmonia, o som do céu...

Fazei que seja eu também ao menos
Apreciadora do que há de bom.
Fazei que eu reconheça, saiba, aprecie, goste, goze
Com o que há de melhor...

Quem sabe assim,
Ao desejar algo tão medíocre,
Ganhe ao menos, o lugar do Salieri
De maior dos medíocres já existente!
Quem sabe assim, seja eu uma Papa,
Renovando a mediocridade
e revolucionando a religião patriarcal.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

IFPI




segunda-feira, 21 de julho de 2014

À Flor da pele



À flor da pele...
todos os sentimentos presentes no corpo.
A sensação de perda, soltando o intestino.
As palavras de rejeição, revirando o estômago.
O silêncio do outro, deixando trêmulas as mãos.
A necessidade de carinho, levando a fome embora.
A vontade de ouvir "eu te amo", medo de estar só!

Fera Ferida



Homem e bicho é tudo igual
Cheira, roça, se alivia.
Instintos vivos e selvagens!
Mesmo quando machucado,
ainda assim, iguais.
Animais acuados, 
feras feridas
e agressivas.
O bicho homem,
no corpo, na alma e no coração!

domingo, 20 de julho de 2014

Pôr do Sol




Eram seis da tarde; pôr do sol. 
Fruição e desejo pairavam no ar. 
Atribuições e conteúdos morais 
ainda ecoavam em seus comportamentos, 
no entanto, ardiam em excitação. 
Não resistiram, 
porque resistir é apelo de Apolo, 
e no momento,
o que mais havia de instintivo acordara 
e estava faminto! 
O vinho, com seus taninos 
decorando a boca e a carne da menina 
que tremia de arrepios... 
Os gozos do momento 
que saíam como notas musicais, 
embalavam a dança dos quadris... 
e adornavam a cena,
que se materializava 
em meio a névoa...

sexta-feira, 7 de março de 2014

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Manifesto de conjuntura da Marcha Mundial de Mulheres do Rio de Janeiro

Nós, mulheres e feministas da Marcha Mundial das Mulheres, vimos, mais uma vez, a público expressar nosso total repúdio à criminalização da Política, dos movimentos sociais, das/dos militantes e das/dos ativistas que ocupam as ruas da cidade do Rio de Janeiro desde Junho de 2013 contra o agudo processo de mercantilização e privatização do espaço urbano que estamos vivendo, pela redução do custo de vida, assim como por mais e melhores políticas sociais e por mais e melhores serviços públicos.

Acreditamos que as manifestações dos últimos meses evidenciam uma inflexão na política nacional e refletem o acirramento de contradições inevitáveis à realidade de um país capitalista governado por um partido político de esquerda, que, através de uma plataforma pós-neoliberal, abandonou a tônica de gerenciamento do Estado, e adotou, ao contrário, uma postura voltada à intermediação das relações entre capital e trabalho, implementando políticas para o desenvolvimento tanto econômico quanto social.
Artista: Alex Frechette, "Manifestações Diárias".
Artista: Alex Frechette, “Manifestações Diárias”.
Consideramos, no entanto, inaceitável o silêncio do poder público e a cegueira das autoridades no que tange a situação de extrema violência e violação dos direitos humanos civis e políticos instalada no Rio de Janeiro, que atribuímos à atuação draconiana da Polícia Militar sob orientação dos governos estadual e municipal. A Polícia, o Estado e o Município devem ser responsabilizados pelas mortes e acidentes, de maior ou menor gravidade, lamentavelmente ocorridos durante os protestos.
Referendamos, nesse sentido, a Proposta de Emenda Constitucional n. 51 (PEC-51), pela desmilitarização da Polícia Militar, encaminhada pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ) à apreciação do Congresso. Não nos iludimos, todavia, sobre ser esta a solução definitiva para o problema da violência institucional. Pois essa violência tem perfil estrutural, sendo consequência da centralidade do capital em nossas vidas e de um discurso de segurança que prioriza a proteção da propriedade privada relegando a segundo plano os direitos e os interesses da população, além de contribuir para a reprodução de uma economia política de guerra que beneficia de milicianos a grandes empresários do setor.
Sabemos que as/os atingidas/os por esse tipo de política repressiva, que olha para a questão social como um problema de polícia, tem cor (negra), classe (pobres) e ideologia. Por isso, pontuamos que as ações pelo fim da violência institucional são de enorme complexidade. Todavia, entendemos que a PEC-51 constitui, sem dúvida alguma, um primeiro e importante passo.
Rejeitamos veementemente o Projeto de Lei Anti-Terrorismo, n. 499, proposto por uma comissão parlamentar mista, e o Projeto de Lei Sobre Crimes de Desordem, apresentada pelo secretário municipal de Segurança, José Mariano Beltrame, ao Senado. Com a justificativa de proteger a democracia, essas iniciativas aviltam e acabam por retroceder a mesma em nosso país. O apoio de parlamentares de esquerda a tais medidas mancha o passado de lutas desse campo em prol da democracia, incidindo tristemente sobre a memória de companheiras e companheiros presas/os, torturadas/os e assassinadas/os durante a ditadura militar brasileira.
Sentimos e apresentamos condolências à família e aos amigos do senhor Tasman Accioly e do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade pela perda trágica de ambos durante a manifestação contra o aumento das passagens ocorrida no dia 06/02 na Central do Brasil, Rio de Janeiro. Estes casos devem servir, subvertendo o tipo de repercussão por eles alcançada, para fortalecer as denúncias em relação as cerca de 25 mortes e às centenas de feridos nos protestos do Rio de Janeiro em função da violência policial.
Acusamos a enorme irresponsabilidade da mídia corporativa na abordagem desses casos, uma vez que ela, apressando-se em estabelecer um julgamento sumário extrajudicial, além de manipular imagens e informações, produzindo provas falsas, logo, criminosas, atrasa, e possivelmente confunde, o trabalho da Justiça.
Prestamos solidariedade às companheiras e aos companheiros do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que têm sido alvejados por calúnias irresponsáveis, cujo único objetivo é deslegitimar a atuação de partidos políticos de esquerda, de lutadoras e lutadores sociais, evitando, assim, uma nova onda de manifestações na cidade em prejuízo dos megaeventos que se encontram no horizonte e também dos interesses eleitorais das classes dominantes.
Reiteramos que a pauta de lutas do movimento feminista em favor de uma melhor cidade para todas e todos se encontra inteiramente de acordo com o que foi apresentado pelo força multitudinária que tem tomado as ruas e agitado a agenda política carioca nos últimos meses. Incentivamos a ocupação do espaço público com política.
Reivindicamos que tal ocupação, assim como a circulação nas ruas, se dê livre de constrangimentos, sejam eles de classe, de raça ou de gênero. Exigimos uma maior oferta de serviços e equipamentos públicos adequados à existência na cidade, sob igualdade de condições, de mulheres e homens. Defendemos, por isso, o passe livre como um direito à identidade e à territorialidade. Demandamos creches e lavanderias públicas como forma de compartilhar o trabalho do cuidado que, hoje, recai prioritariamente sobre nós, mulheres.
Lutaremos até o fim pelo direito de opinião, reunião e manifestação, amparados pela Constituição Federal de 1988, contra práticas opressivas e repressivas por parte do Estado sob estímulo e influência do grande capital e da classe empresarial que reivindica, hoje, a posse da cidade do Rio de Janeiro.
Continuaremos em marcha até que todas e todos sejamos livres!
Marcha Mundial das Mulheres – Rio de Janeiro