sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Livre Pensar em Saramandaia

Deverasmente fiquei muito admirosa do quanto uma mini-série, inspirada num texto do Dias Gomes, se conectou com algumas ideias entorno da liberdade, da criatividade, da emancipação e do empoderamento.
A personagem do João Gibão é um jovem idealista que aparentemente se mostra corcunda e que, por conta de seu "defeito físico" e de suas ideias, sempre incomodou muita gente na pequena e incomum cidade de Bole-Bole, ou melhor, Saramandaia. Ele incomoda as pessoas conservadoras da cidade, as que votam e apoiam os mesmos políticos desde sempre, reafirmando o poderio dos coronéis; incomoda as pessoas religiosas, aquelas fundamentalistas, moralistas, sectárias, que insistem em ver o mundo binariamente, entre certo/errado, céu/inferno, normal/anormal, deus/demônio; e também incomoda a todos que reproduzem os padrões da moral, do sistema do capital e dos papéis sociais que colaboram para todo tipo de construções de opressão. João Gibão também é responsabilizado por todas as "desgraças" que vai acontecendo na cidade e na vida dessas pessoas que se sentem incomodadas por ele ao longo da trama, a ponto dele ser responsável pelo mudancismo do nome da cidade, pelas descobertas das verdades históricas que envolvem as famílias tradicionais da cidade, pela morte das pessoas, pela separação dos casais.
O curioso é que na verdade, João Gibão não é corcunda, ele possui asas! E essas asas causam emoção incomparável aos poucos espíritos livres que os contemplam. Mas para todo o resto da cidade, isso seria uma aberração da natureza, o João Gibão seria considerado o filho do diabo. E é interessante essas metáforas todas... porque a Liberdade, representada pelas asas, é considerada pela sociedade com muita estranheza, com um sentimento de nojo, de diabólico, de abjeto. É visto como anormal e suscita reações fundamentalistas e violentas... A liberdade é aquilo que traz uma reflexão acerca da política, da economia, da religião, dos códigos sociais... e concomitantemente, leva a uma postura crítica e criativa diante da vida que reflete num processo de individuação, de empoderamento, de emancipação, de subjetivação.
Que presente poder elaborar todas essas questões Joãogibentas dentro de mim!!

Um comentário:

  1. Poxa, minha cara artesã. Eu preciso mesmo, muito dominar o dialeto saramandista! E você deverasmente me ajudou com este seu quase tratao da liberdade, da ludicidade, enfim, de tudoi o que eé belo quando livre! E passe mais tempo em seu ateliê, ok?
    Bjuus.

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